Violência contra adolescente em projeto social em Ribas vira caso de polícia
Data de Publicação: 2 de abril de 2026 23:07:00 Garoto de 13 anos sofreu diversos hematomas após ser agredido em “corredor polonês” em aula de Jiu-Jitsu
A aplicação de “corretivo” durante aula de Jiu-Jitsu em programa social da prefeitura de Ribas do Rio Pardo se transformou em caso de polícia após menor de idade sofrer diversos hematomas em virtude de ter sido submetido a corredor polonês.
A prática, considerada rito comum em artes marciais, se transformou em caso de agressão, conforme mostram fotografias tiradas das costas, de um dos braços e do peito do adolescente, que tem 13 anos de idade.
A agressão aconteceu na noite de quinta-feira passada, 26 de março, no Centro de Esportes e Lazer localizado na Rua Julio Viana, no Bairro Vista Alegre, onde menores participam de aula de artes marciais por meio de programa oferecido pela Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL).
Irmão do professor
Segundo apurado pelo Vox MS, o menor A.G.V.S. teria esbarrado no professor identificado como Luan Gonçalves Inverso, irmão de Haroldo Gonçalves Inverso e responsável pelas aulas, que estava juntamente com outros participantes de artes marciais em visita ao projeto.
Por conta do “esbarrão”, ao final da aula o adolescente teve que passar quatro vezes pelo corredor polonês, despido do kimono (vestimenta usada para a prática do esporte) e sem nenhuma proteção.
Os agressores, a maior parte deles adultos, dobraram as faixas de graduação para atingir o menor.
Vídeo e fotografias obtidas pelo Vox MS mostram hematomas nas costas e no peito da vítima, que teve de ser atendida no hospital da cidade, onde foi medicada.
Denúncia à polícia
Após deixarem o hospital, onde o menor foi submetido a exame de corpo de delito, os pais registrarem queixa na delegacia de polícia contra o professor Haroldo Gonçalves Inverso.
No laudo, o médico Sidnei Henrique Lehm classificou as lesões como “graves”. No entanto, o delegado de polícia Felipe Pereira de Oliveira Braga alterou a classificação para natureza “leve”.
O policial registrou a agressão como crime de lesão corporal dolosa. Haroldo Inverso é servidor concursado da prefeitura, na condição de “agente de proteção social”, o que sugere que se encontrava em desvio de função.
No laudo do exame de corpo de delito, natureza das agressões foi alterada de “grave” para “leve” (Reprodução)
Ética esportiva
A Federação Sul-matogrossense de Jiu-Jitsu, em nota assinada pelo presidente Fábio Rocha, manifestou “total repúdio a qualquer forma de violência, humilhação ou prática que fira a integridade física e psicológica de atletas, seja dentro ou fora do ambiente de treino”.
Segundo ele, “atitudes que extrapolam a filosofia da arte suave e resultam em agressões não são endossadas, sob nenhuma circunstância, por esta entidade”.
Repercussão nacional
Em nota, as entidades afirmaram que “repudiam veementemente qualquer forma de violência praticada dentro ou fora do âmbito da prática dos esportes e artes marciais” e que “não endossam nem corroboram com tais atitudes sob nenhuma circunstância”.
Como a competência tanto da FSMJJ quanto da CBJJ e IBJJF se limita apenas à regulamentação e promoção da modalidade no âmbito das artes marciais e competições, as entidades esclareceram que “casos de violência e agressão devem ser comunicados às autoridades competentes, para que as devidas investigações e providências legais sejam tomadas”.
Posicionamento da prefeitura
Por meio de nota, a prefeitura de Ribas do Rio Pardo anunciou o afastamento preventivo de Haroldo Inverso após a Administração tomar conhecimento da ocorrência.
De acordo com o comunicado, a situação chegou ao conhecimento da gestão por volta das 9h, já acompanhada de informações e registros em vídeo. Diante disso, foram adotadas medidas imediatas no âmbito administrativo.
Entre as providências, foi determinado o afastamento do profissional envolvido e a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que irá apurar os fatos e eventuais responsabilidades, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme prevê a legislação.
Além disso, as aulas de jiu-jitsu foram paralisadas temporariamente como medida cautelar, permanecendo suspensas até a conclusão das investigações e a reavaliação dos protocolos de segurança e conduta.
Na nota, a prefeitura reforça que não compactua com qualquer conduta que coloque em risco a integridade física ou emocional de crianças e adolescentes, destacando o compromisso com ambientes seguros e com a boa prática esportiva e educacional.
