Vegetação forma "tapete verde" sobre leito de rio histórico já navegado por Monções de Bandeirantes
Data de Publicação: 2 de outubro de 2025 07:17:00 Moradores filmaram fenômeno das macrófitas flutuantes e assunto virou causa de ação popular na justiça
Da redação/Rio Rio Pardo News
Qualquer rápida pesquisa no Google, resultará em informações históricas sobre o Rio Pardo, que nasce na Serra das Araras, em Camapuã, na região norte de Mato Grosso do Sul, banha 11 municípios e deságua no Rio Paraná, no estado homônimo, que faz divisa com a região sul de MS.
A bacia hidrográfica do rio, inclui Campo Grande, a Capital do Estado, e outras cidades como Bandeirantes, Bataguassu, Brasilândia, Camapuã, Jaraguari, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo e Sidrolândia.
O Rio Pardo de Mato Grosso do Sul (existe outro com o mesmo nome em Minas Gerais), foi um trecho fundamental do caminho percorrido pelos bandeirantes paulistas nas monções, expedições fluviais para o interior do Brasil em busca de ouro e pedras preciosas, a partir de São Paulo no século XVII.
As expedições subiam os rios Tietê e Paraná e, em seguida, o Rio Pardo, como parte da rota que levava às minas de Cuiabá, capital de Mato Grosso, partindo de Araritaguaba (atual Porto Feliz), atravessando a região de varadouros e afluentes até chegar ao Rio Paraguai.
Esse trajeto, foi parte essencial do extenso sistema fluvial que permitia o acesso ao interior do Brasil, onde se acreditava haver grandes riquezas minerais.
A passagem dos bandeirantes pelo Rio Pardo e regiões adjacentes contribuiu para a ocupação e o controle do território pelas coroas portuguesa e espanhola.
Importância histórica some com assoreamento e vegetação aquática
Desde o mês de fevereiro de 2025, parte do Rio Pardo/MS está sob densa camada de vegetação aquática, as chamadas macrófitas flutuantes. A situação impressiona moradores da região onde o fenômeno foi registrado em diversos vídeos que circulam pela internet.
São imagens surpreendentes de plantas com mais de 50 centímetros de altura, sob o leito que era navegável. “Hoje, fico triste de ver esta situação, aqui na frente do meu rancho, na represa do Mimoso”, relata o professor Leondeniz Guariero de Oliveira, em vídeo pulicado na página ribas_da_depresão, no Instagram.
Ele afirmou possuir uma margem de 197 metros a frente de sua propriedade e a mostrou totalmente encoberta pela vegetação, bem como todo o leito do Rio Pardo, em extensão quilométrica.
Já o operador de máquinas, Crispin Dias Neto, mostrou a caótica situação em seu vídeo e satirizou:"aqui é o local onde os pescadores atracavam seus barcos, mas, pelo visto, só vai descer gado por aqui agora ..."
Não há a mínima possibilidade de navegação e muito menos da prática de lazer com jet-sky ou qualquer outra embarcação, sem contar o fim da pescaria ao longo do trecho encoberto pela vegetação.
O assoreamento incontido, é outro grave problema enfrentado a longo tempo pelo Rio Pardo. Moradores de Ribas do Rio Pardo já mostraram a água pelas canelas em reportagens que denunciaram a situação alarmante, em busca de providências.
Ação Civil pública cobra usina hidrelétrica e Imasul
O advogado Maikon Roger Vargas de Araujo Calzolaio, também possui propriedade as margens do Rio Pardo. Ele impetrou ação popular contra a empresa responsável pela represa da usina hidrelétrica Assis Chateubiand, conhecida como Usina do Mimoso, a Pantanal Energética Ltda, e contra o Imasul-Instituto do Meio Ambiente do Governo do estado de Mato Grosso do Sul.
Na ação, consta o relato de um antigo problema de ordem legal: a operação sem atendimento as exigências legais. A usina existe desde 1.971, sua construção começou em 1.969, e comumente há reclamações da população sobre danos ao ecossistema.
