Após retorno e 16 casos em investigação, professores temem surto de Covid
O secretário de Educação disse que os servidores estão seguindo os protocolos da secretaria de saúde.
Por Kleber Souza em 9 de Fevereiro de 2021
Uma semana após retornarem às atividades presenciais, ainda sem alunos, profissionais da rede municipal de ensino de Ribas do Rio Pardo temem surto de contaminação pelo novo coronavírus.
Números não oficiais indicam que dos 46 casos em investigação divulgados na segunda-feira (8), pelo menos 16 seriam de profissionais que atuam nas escolas municipais. “São oito professores da escola ISA em isolamento, quatro no Mareide, dois no Alcindo e dois na São Sebastião”, alertou uma professora na manhã desta terça-feira, dia 9.
Até ontem (9), cerca de 33% dos casos em investigação são de servidores que atuam diretamente nas escolas do município e tiveram contato com outros profissionais nos primeiros dias.
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| O secretário de Educação Nizael Almeida |
As atividades presenciais da Jornada Pedagógica e a eminente reabertura das escolas, encontram resistência de parte dos professores que pedem o retorno das aulas presenciais, somente após a vacinação. “Neste momento é totalmente inviável, com a criança não tem jeito. Ninguém controla”, pontuou outra professora.
Procurado pela reportagem, o secretário de Educação Nizael Almeida, disse que os servidores em isolamento tiveram contato com outras pessoas que testaram positivo e estão seguindo os protocolos da secretaria de saúde.
Nizael é favorável ao retorno das aulas presenciais, independente de quando ocorrer a vacinação dos trabalhadores. Após o surgimento de grande número de casos suspeitos, ele prometeu testar os servidores. “Estamos acompanhando todos os casos e vamos testar todos os profissionais da educação nos próximos dias. Os testes já estão à disposição, as duas secretarias (saúde e educação) estão trabalhando na logística da execução desses testes”, pontuou.
SEM ESTRUTURA MÍMINA, A REALIDADE PREOCUPA
Outra reclamação de parte dos professores é da estrutura deficitária e precária das escolas, no sentido de que haja condições mínimas para as medidas de biossegurança sejam atendidas no ambiente escolar.
“Sem pandemia, normalmente as coisas já são difíceis na rede pública. Falta tudo. O material escolar geralmente chega depois de abril, o uniforme em maio. No dia-a-dia, falta merenda, falta açúcar pro café, falta até cadeira pro aluno sentar. Como vão conseguir dar as condições mínimas de higiene se nos banheiros não tem sabonete e papel higiênico?”, questiona o professor Kleber Souza.
“No papel é tudo muito bonito. Eles lá do ar-condicionado, falam em ‘totem’, ‘dispenser’, e ambiente ventilado, mas lá no chão da escola a realidade é dura. Tem famílias carentes que vivem em dez dentro de dois cômodos sem as mínimas condições sanitárias. E se o vírus chegar lá? Não vamos nem poder ir no velório da vozinha!”, comenta.
Na segunda-feira, dia 8, professores de uma das escolas estiveram reunidos e debateram o Plano para Retorno Gradual das Aulas Presenciais, proposto pela Prefeitura Municipal.
Em uma das escolas, todos os professores presentes, sem exceção, manifestaram posicionamento contrário ao retorno das aulas presenciais neste momento.
“Nitidamente querem ‘jogar pra torcida’. Se quer lembraram de colocar como procedimento, a aferição de temperatura na entrada da escola. É um absurdo a forma com que querem fazer isso”, finaliza Kleber.
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