Português (Brasil)

No hospital, mãe grava vídeo e implora por atendimento: “Pelo amor de Deus, alguém atende minha filha”

No hospital, mãe grava vídeo e implora por atendimento: “Pelo amor de Deus, alguém atende minha filha”

Data de Publicação: 20 de abril de 2022 15:35:00

Compartilhe este conteúdo:
 
 

 

 

DA REDAÇÃO/RIOPARDONEWS

Circula nas redes socias desde a noite de terça-feira (19), vídeo gravado por uma mãe implorando por atendimento para sua filha no Hospital Municipal de Ribas do Rio Pardo (MS). Segundo Kelly Hanny Silva Sousa Pereira, sua filha de três anos esperou quase quatro horas para ser atendida. A direção do hospital nega a demora e justifica que “houve lotação total na internação e no pronto socorro”.

Ao Rio Pardo News, o diretor do Hospital Municipal, Cleiton Bueno, disse que no momento do vídeo, médico e enfermeiros “entraram para dar alta para alguns pacientes”.  

No vídeo é possível ver que não há nenhum funcionário da recepção e na sala de pré-consulta. A gravação também mostra as duas salas médicas vazias.

Somente no corredor do Pronto Socorro a mãe encontra os primeiros servidores. Ela desabafa:

“Gente pelo amor de Deus, alguém atende minha filha gente, minha filha minha filha tá morrendo de dor de ouvido e vocês tudo aqui batendo papo, gente faz a conta que faz aqui minha filha tá chorando pelo amor de Deus, vocês não tem piedade da gente, vocês fizeram um juramento de cuidar das pessoas, eu tô ouvindo lá de fora papo de vocês, para poder atender minha filha sou obrigada a fazer um barraco gente?

Um dia desse eu tava aqui, só porque mamãe bebeu chamaram Conselho Tutelar, fizeram um escarcéu aqui e eu tô querendo a saúde da minha filha não aparece alguém para atender ela?

 Eu tô certa ou tô errada minha gente?  Pelo amor de Deus ninguém vai atender ela?

Nesse momento o médico plantonista responde:

- Vamos lá atender ela!

A mãe agradece. “Muito obrigado!”, e promete ao médico que irá manter a calma.

A mãe continua protestando. “Faz hora que eu tô aqui esperando, eu tô toda me tremendo por que minha filha tá só chorando e lá de fora tô ouvindo as gargalhadas. É justo minha filha tá lá fora chorando e os funcionário aqui só rindo, batendo papo? Não é justo!”, diz a mãe ao encerrar a gravação.

O diretor do hospital contou ainda que ninguém faltou com respeito. “Todos estavam lá. Foi feito a triagem, foi levantado a gravidade, e quem era de emergência estava lá dentro”. Cleiton explica que “a situação da criança não era atendimento de urgência e emergência, porém não deixou de ser atendida. Por fim, a direção do hospital diz que a mãe não quis conversa. “Confrontou a conduta médica e foi embora.

A mãe contesta a versão do diretor e diz que sua filha só foi atendida depois que filmou. “Tentaram dar remédio, ela não tomou. Pedi pra dar um soro, uma injeção, não deram nela, eu ia ficar fazendo o que no hospital? Eu fiquei no carro, na porta do hospital esperando meu marido terminar de ser atendido. Por que depois que eu fiz o alvoroço lá foi que atendeu, a moça, a minha filha e o meu marido que estavam passando mal. Mas eu fiquei na porta, até duas horas da manhã. É só eles puxar nas imagens, se lá tiver câmeras eles puxam nas imagens”, disse Kelly ao ser questionada pela reportagem.

VEJA O VÍDEO:

Procurado pela reportagem, Paulo Rogério de Souza Bernardes, advogado das servidoras que aparecem no vídeo, disse que os relatos da mãe são desmentidos pelo som e pelas imagens do próprio vídeo. Leia:

NOTA AO RIOPARDONEWS

Em nome das servidoras profissionais da Enfermagem envolvidas no lamentável episódio ocorrido na noite do dia 18/04/2022, cujo vídeo covardemente exposto e compartilhado não corresponde à realidade dos fatos, esclareço que:

1 – Naquele plantão, entre 18 h e 22 h, ocorreram 36 (trinta e seis) atendimentos no Pronto Socorro, dos quais 3 foram Emergências de alta prioridade/complexidade, que demandaram alta carga de trabalho ininterrupto naquele período;

2 – A paciente deu entrada no Hospital Municipal e foi feita triagem às 22:50, sendo que a criança estava calma e ativa, com sinais normais e sem febre, conforme documentado no prontuário, sendo a classificação de risco no status “verde”, em que não há urgência ou emergência;

3 – O vídeo foi feito por volta das 23:20 (30 minutos após a classificação) enquanto os profissionais ainda se debruçavam sobre casos mais urgentes;

4 – No vídeo é possível ouvir sons da criança no colo da mãe, que não denota choro ou situação que levasse à ação desmedida da mesma;

5 – O vídeo mostra o consultório e a sala de pré-consulta vazias, pois os profissionais estavam em atendimento, porém não mostra a recepção, cuja recepcionista estava em seu posto. Mostra o médico no corredor caminhando entre pacientes; a enfermeira anotando prontuário de atendimento, uma técnica consultando quadro de parâmetros e outra saindo da sala de preparação de medicamentos;

6 – Os relatos do vídeo são desmentidos pelos sons e imagens. Em momento algum são registradas “gargalhadas” ou tampouco “batendo papo”, não sendo registrado o “choro da filha”, e diante dos fatos os servidores envolvidos, tomados pela perplexidade e surpresa, não esboçaram reação;

7 – A criança foi atendida, e a mãe inclusive recusou que fosse administrado parte dos medicamentos prescritos, com isso, a paciente foi liberada às 23 h e 35 min;

8 – Diante da agressividade gratuita, da exposição pessoal, da publicação em redes sociais e suas repercussões, e diante da situação vexatória e criminosa à qual foram expostas, registraram o Boletim de Ocorrência sob nº 575/2022 na Delegacia de Polícia local, e serão adotadas todas as medidas extremas no âmbito civil e criminal, contra a pessoa que produziu o vídeo, as que publicaram, e as que compartilharam. É inadmissível que profissionais que tanto se dedicam ao próximo, mesmo sem condições de trabalho adequadas e desvalorizados, sejam alvos de tão vil e covarde ataque. Dentre as profissionais, uma conta com 33 anos de profissão e não tem nenhum registro desabonador, e teve que se afastar das atividades por falta de condições emocionais, sendo alvo de comentários jocosos e até ameaçadores.

O QUE DIZ O DIRETOR CLÍNICO DO HOSPITAL?

O diretor clínico do hospital, Eduardo Delamura também saiu em defesa dos servidores. Segundo ele, a promoção do ódio e da raiva não contribui para a solução dos problemas no sistema público de saúde. Leia:

"Nós vamos nos unir e nos proteger! A população tem direito de cobrar melhorias da saúde com toda razão, mas sempre com respeito! Somos também moradores daqui e nossas famílias também são usuárias da rede, precisamos de uma rede de saúde cada vez melhor! Mas não é promovendo o ódio ou a raiva que se constrói algo saudável! Mais uma vez, digo e repito.. a usuária não teve seu atendimento acima do tempo previsto diante da gravidade do quadro! E a equipe não estava ‘dando gargalhadas’, como podemos ver o vídeo. O médico está passando no corredor após reavaliação de um paciente, a enfermeira com papel e caneta na mão, e a técnica esperando alguma orientação da enfermeira. E em momento algum agiram com grosseria ou descaso com a paciente.", pontuou Delamura.

 

 

 

 
 
 
Compartilhe este conteúdo:
 riopardonews@gmail.com
 (67) 99107-6961
 facebook.com/RioPardoNews
 (67) 99107-6961