Português (Brasil)

Malha Oeste tem demanda para transportar 74 milhões de toneladas

Malha Oeste tem demanda para transportar 74 milhões de toneladas

Ferrovia mais antiga de MS continua viável, mesmo com os novos ramais para escoar a celulose sendo autorizados pelo Ministério da Infraestrutura

Compartilhe este conteúdo:
 
 

 

POR EDUARDO MIRANDA/CORREIO DO ESTADO

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), disse em entrevista ao Correio do Estado que há demanda suficiente para a reativação da ferrovia Malha Oeste.  

Conforme o chefe do Executivo, há um estudo do governo que indica que a demanda para a ferrovia, que atravessa o Estado de Leste a Oeste e, ainda, liga Campo Grande a Ponta Porã, é de pelo menos 74 milhões de toneladas para serem transportadas.  

Entre os produtos a serem escoados pelos trilhos que chegaram a Mato Grosso do Sul há mais de 100 anos e carecem de revitalização, há minério de ferro, extraído pelas mineradoras de Corumbá, e celulose, produzida em Três Lagoas e, futuramente, em Ribas do Rio Pardo.  

E ainda os produtos agropecuários como carnes e grãos para exportação. Mas não é só isso, no caminho inverso, há demanda para a retomada do transporte de combustíveis e até mesmo de itens industrializados da Região Sudeste.

Azambuja faz questão de desmistificar o clichê de que há pouca demanda para os trilhos da Malha Oeste.  

“A pessoa vem e fala: ‘Não tem carga’. Hoje não tem carga porque não tem ferrovia. Se tiver ferrovia, tem carga”, afirma, com ênfase, o governador, que complementa: “Nós temos um estudo que indica 74 milhões de toneladas para colocar na Malha Oeste”.

ALTERNATIVAS

Azambuja também fez questão de tranquilizar não somente o setor produtivo, mas aqueles que pensam os projetos das indústrias de celulose e as empresas de logística.

Há a intenção de construção de ramais ligando as cidades de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo a outras malhas, como a Ferronorte, em Aparecida do Taboado e Inocência, e a Malha Paulista, em Panorama (SP).  

“Tudo vai se acertar porque o setor da logística conversa muito entre si. E o que ele está vendo? Enquanto a Malha Oeste não é recuperada, ele vai conectar com outras malhas para escoar o produto”, explica.  

Segundo o governador, independentemente da construção destes novos ramais ferroviários, a demanda continua. “O fluxo de carga que vem desde Corumbá está garantido”, alega. 

“Essa viabilidade da Malha Oeste existe e vai acontecer, os outros ramais não tiram a competitividade dela”, arremata o governador.  

CONEXÕES

O otimismo da administração estadual com a relicitação da Malha Oeste, que está prevista para ocorrer ainda neste ano, último do mandato atual do presidente da República Jair Bolsonaro, é grande.  

Segundo Azambuja, a Malha Oeste é a única rota ferroviária bioceânica viável na América do Sul e também tem potencial para tornar suas cidades pontos de conexão (hubs), com capilaridade para integrar outras malhas ferroviárias brasileiras, como a Ferroeste e a Malha Paulista.  

“A Malha Oeste é nada menos que a ferrovia Transamericana. Ela liga o Brasil, via Corumbá, a Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, e de lá há conexões para o Chile e também para o Porto de Ilo, no Peru”, exemplifica o governador.  

“O investidor da área da celulose, por exemplo, terá várias opções. Poderá colocar seu produto em um trem e enviar ao Porto de Santos [SP], colocar no trem e enviar a Maracaju e, de lá, para Paranaguá [PR], via Ferroeste, ou mesmo enviar para os portos do Pacífico, via Malha Oeste-Transamericana”.

PROJETOS

Por causa do novo marco legal das ferrovias, sancionado em dezembro pelo presidente Jair Bolsonaro, indústrias de celulose e empresas de logísticas pediram autorização (muitas delas foram autorizadas) paraa construir novos ramais ferroviários no Estado. Os investimentos chegam a R$ 6 bilhões.  

Os ramais são os mais diversos: eles ligam Dourados a Maracaju (Ferroeste); Ribas do Rio Pardo a Inocência, na Ferronorte (Suzano); e Três Lagoas a Panorama (SP), na Malha Paulista (MRS Logística).

Outro ramal contorna a cidade de Três Lagoas (Suzano), e dois deles ligam Três Lagoas a Aparecida do Taboado (também na Ferronorte) – um já liberado para a Eldorado, e outro em análise, pedido pela Suzano. 

 

 
 
 
 
Compartilhe este conteúdo:
 riopardonews@gmail.com
 (67) 99107-6961
 facebook.com/RioPardoNews
 (67) 99107-6961