Implacável com pobres, João Alfredo corta refeição e aumenta risco de morte de renais crônicos
Data de Publicação: 18 de novembro de 2021 08:28:00
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DA REDAÇÃO/RIOPARDONEWS
Quem tem dinheiro (rico) come, quem não tem dinheiro (pobre) passa fome. Há mais de dois meses esse é o pensamento da Gestão João Alfredo em relação aos pacientes de Ribas do Rio Pardo (MS) que precisam fazer hemodiálise ‘dia sim dia não’ na capital.
A crueldade descabida, absurda e sem fim da administração municipal brinca com a vida dos pacientes com insuficiência renal crônica que não possuem condições financeiras de custearem, fora de casa, uma refeição completa nos dias que viajam para o tratamento.
A reportagem teve acesso a uma declaração de um dos pacientes, assinada por um médico. O documento deixa claro a importância do tratamento para a manutenção da vida e, também, detalha as restrições alimentares que o paciente deve se atentar. “Se não seguidas podem ocasionar o óbito do paciente”, alerta.
Um dos alertas é: não permanecer em jejum por muito tempo e, ingerir refeição completa que garanta o aporte nutricional adequado.
Há pelo menos um mês, o Rio Pardo News vem recebendo inúmeras denúncias de que o fornecimento de refeição aos pacientes havia sido cortado sem qualquer explicação.
Os relatos são de cortar corações e abalar os mais fortes emocionalmente. “Eu estou passando fome”, conta uma acompanhante que prefere não se identificar por vergonha.
DAS 3 DA MANHÃ ÀS 4 DA TARDE...
A sofrida rotina de ir e vir três vezes por semana de Ribas para Campo Grande, se tornou ainda mais árdua com a suspensão da comida aos doentes. O Rio Pardo News foi conferir de perto esse martírio no último dia 17.
O ponto inicial da viagem acontece no Hospital Municipal. Por volta das 3h30min, o motorista Paulo Riti chega, bate o ponto, pega um pequeno isopor e uma garrafa térmica. Dentro, a principal refeição para quem não tem condições.
Acompanhantes e pacientes, alguns em estágio terminal, precisam se virar com aquilo: um pequeno pedaço de bolo e suco tipo artificial.
Debaixo de chuva, o motorista percorre quatro bairros da cidade e de porta em porta, um a um, faz o embarque dos pacientes. Ainda está escuro quando a van, cheia de pessoas em busca de saúde, contorna o trevo do boi e parte rumo a Campo Grande. A jornada ida/tratamento/volta dura em média 12 horas.
O QUE DIZEM OS PACIENTES...
Abordamos alguns pacientes e acompanhantes no momento do embarque. Todos relatam que a refeição foi suspensa há mais de dois meses.
“É pão com manteiga e suco quente”, disse um paciente sobre o que estava sendo oferecido. Todos os pacientes e acompanhantes negaram que havia sido oferecido pão com mortadela. “Você sai da máquina, você sai zonzo. Se você não comer, você morre”, explica outro paciente.
Um paciente relatou que gasta R$ 30 por dia, pois precisa pagar o almoço do acompanhante. Outro paciente relatou que já tentou levar marmita pronta de casa, mas não dá certo pois a comida estraga. “As vezes a gente leva, mas azeda”, conta.
Outro relato absurdo, descreve que um dia enviaram apenas 4 pães. “Tem dia que não vai nada. Um dia tinha dois pães na caixa para repartir para todo mundo”, explica com tristeza outro paciente.
O relato mais comovente foi de Dona Marlene. Há sete anos, ela mesmo já idosa, acompanha seu filho que além de renal crônico é deficiente visual. “No meu caso eu não tenho condições, eu não tenho por que meu marido agora que está trabalhando, ficou quatro meses parado tava perdendo a visão, esse aqui já não tem, já não enxerga. Esse é meu filho, já tá com sete anos que eu acompanho ele (no tratamento da Hemodiálise). Pelo menos se voltar o almoço já tá bom, a gente não tem condições de comprar, as coisas tá caro né. É difícil...”, contou no portão de sua casa, antes de embarcar na van.
“Presenciei uma covardia sem tamanho. Fico imaginando, se fosse um familiar do prefeito ali entre aquelas pessoas, se ele teria coragem de agir assim. Deixar isso acontecer com pessoas doentes, não é normal vindo de alguém que deveria cuidar do povo”, pontua Kleber Souza, após a reportagem.
O QUE DIZ A GESTÃO JOÃO ALFREDO?
Encaminhamos questionamentos à Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ribas do Rio Pardo. Até o fechamento desta matéria não obtivemos retorno.
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