Denúncia aponta ambulâncias de ‘tanque vazio’ em Ribas do Rio Pardo
A Ducato, utilizado para emergências do tipo ‘vaga zero’ teria autonomia para apenas mais uma viagem até a capital
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Por Kleber Souza em 5 de agosto de 2020
Uma denúncia sigilosa feita por um paciente da saúde pública de Ribas do Rio Pardo (MS), aponta que o abastecimento de combustível dos veículos oficiais do município está suspenso desde o dia 3, por falta de pagamento.
Alguns secretários municipais confirmam o desabastecimento. Informações do Portal da Transparência da Prefeitura de Ribas mostram que desde março, existem pagamentos pendentes junto à empresa fornecedora de combustíveis, a SH Informática LTDA, conforme Documento Número 126711 13.
O corte por inadimplência da Gestão Tucura comprometeu também o abastecimento das ambulâncias da Prefeitura e colocou em risco, em plena pandemia do novo coronavírus, o serviço essencial nos últimos dias. A reportagem do site Rio Pardo News apurou que o veículo Ducato, utilizado para emergências do tipo ‘vaga zero’ teria na manhã de hoje (5), autonomia para apenas mais uma viagem até a capital.
A ambulância Ducato, mais antiga, aguentaria mais duas ‘idas’ até Campo Grande (MS), enquanto a ambulância Toyota Hilux, seria a única em situação confortável, com o tanque cheio.
Já a ambulância Fiat Fiorino é a situação mais preocupante e estaria com o tanque vazio.
No corredor do Hospital Municipal, informações dão conta que um dos motoristas teria abastecido uma das ambulâncias com dinheiro do próprio bolso. Outra informação, extra oficial, diz que um dos médicos teria contribuído com R$ 100,00 para abastecer um dos veículos de emergência do município.
O OUTRO LADO
Em contato com a secretária de Saúde do Município, Helenice Falcão, confirmou o bloqueio no fornecimento, mas disse que não chegou a faltar combustível para nenhum carro da Saúde. Ela tratou de tranquilizar a população dizendo que sempre que há problemas desta ordem “a Saúde fica de fora”. “Bloqueou o combustível, mas todos os veículos da Saúde estavam abastecidos e nenhum parou por falta de combustível. Inclusive tenho relatório dos motoristas avisando que não teriam problema”, disse.
Uma hora depois de ser questionada pela reportagem, a secretária informou com exclusividade que, pelo menos para os veículos da sua pasta, “o combustível já estava liberado”.
Helenice finalizou dizendo que “as nossas contas estão em dia. As outras secretarias não posso te responder”.
O secretário municipal de Educação, Renato Collis, sempre democrático e atencioso, também respondeu a reportagem. Segundo ele sua pasta está utilizando pouco combustível atualmente, mas a última informação que teve, era que a Educação estava ‘sem saldo’.
O secretário municipal de Obras, Bartolomeu Pacheco, não respondeu nossos questionamentos até o fechamento desta matéria.
QUANTO GASTOU?
Mesmo na pandemia, a Gestão Tucura, já investigada na Operação Combustão por supostos desvios de recursos públicos na execução de contratos de aquisição de combustíveis, consumiu somente nos 5 primeiros meses de 2020 (de janeiro a maio), mais de R$ 1,2 milhão em combustíveis para a frota do município.
De janeiro de 2017 a maio de 2020 foram R$ 8.735.615,34 (Oito milhões, setessentos e trinta e cinco mil, seissentos e quinze reais e trinta e quatro centavos) em abastecimentos.
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