“Esta questão do abate do gado pode ser prejudicial se ocorrer de forma descontrolada, mas por enquanto aqui não sentimos esse impacto e é sempre uma grande alegria poder ver e saber que têm animais como esse circulando pela nossa propriedade” acrescenta.
Apesar do Pantanal ser considerado a terra das onças, nem sempre é fácil encontrar o grande predador, ainda mais na região Sul deste domínio natural. Na área de 2.300 hectares da fazenda a equipe já captou algumas imagens do felino, inclusive cenas semelhantes de predação e é justamente a dificuldade de avistá-lo em campo que torna cada registro ainda mais especial.
“É um animal difícil de ver, para a gente observar uma onça durante passeios aqui é bem raro, e por isso a gente instala as câmeras sempre que tem algum indício como presa ou pegadas em algum lugar, para garantir a imagem dela”, diz.
Entre alguns momentos marcantes captados do felino na fazenda está uma imagem que mostra quatro onças-pintadas juntas se alimentando de uma carcaça, o registro foi feito em 2015.
A fazenda é um dos refúgios da vida selvagem no Mato Grosso do Sul. Recebe a visita de muitos bichos, como tamanduás, jaguatiricas e diversas aves, entre elas, o príncipe-negro e a arara-azul, um dos símbolos do Pantanal. Atualmente a propriedade está vinculada a dois projetos de conservação: o Instituto Tamanduá e o Instituto Arara Azul.
![]() |
Onça x gado
No Pantanal Norte a onça-pintada tem um grande impacto na economia com o turismo de observação da vida selvagem. Pesquisas apontam que o felino movimentou milhões de reais nos últimos anos com a atividade. Não à toa, profissionais ressaltam que a vida do animal é extremamente importante para o equilíbrio do ecossistema e também para a renda da população local, inclusive dos fazendeiros.
"A predação por onça geralmente nunca é mais do que 1 a 3% do inventário do gado, existem outros fatores que causam muito mais mortalidade. É importante falar que matar a onça não vai resolver o problema porque muito provavelmente vai vir outra onça para predar, o que acaba se tornando um ciclo vicioso. O que é preciso fazer é romper este ciclo e adotar métodos para reduzir a perda do gado por predação de onça", explica Rafael Hoogesteijn, supervisor geral da Panthera Brasil.
Para evitar maiores conflitos entre homem e onça, os pesquisadores da ONG Panthera Brasil estudam e divulgam medidas que podem ser adotadas por proprietários de terras pantaneiras para conviver sem problemas com o maior felino das Américas.
Estratégias incluem um manejo especial em relação às vacas prenhas e aos bezerros pequenos, que são os principais alvos do predador, uso de cerca elétrica para não permitir a saída do gado e a entrada da onça, e ainda usar o método do curral com fechamento noturno e luzes especiais.
As posturas são apropriadas, principalmente para fazendas pequenas e medianas. No Pantanal do Mato Grosso do Sul os pesquisadores já estão obtendo retorno positivo das estratégias aderidas.
Fotos e imagens: Fazenda São José/Pousada Águape
Reportagem Portal G1
![]() |
![]() |




