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#77ANOS: em “A vila do Rio Pardo”, as mudanças que a Noroeste propôs para o lugar são descritas com precisão

#77ANOS: em “A vila do Rio Pardo”, as mudanças que a Noroeste propôs para o lugar são descritas com precisão

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História de Ribas do Rio Pardo vai contar um pouco da vida de OTÁVIO GONÇALVES GOMES.

Em 1917, prevendo o grande progresso que seria trazido pela estrada de Ferro Noroeste do Brasil, chega na então Vila Rio Pardo, o português Domingos Gonçalves Gomes com sua família. Otávio Gonçalves Gomes era um dos seus filhos.

Otávio viveu sua infância, adolescência e um período da fase adulta em Ribas do Rio Pardo, aproximadamente, até os anos de 1930. Depois desta data mudou-se para Campo Grande.

A seguir, um breve relato da vida, das obras, dos feitos, da contribuição para a nossa cidade e para o nosso Estado, deste nobre e ilustre personagem.

ONDE CANTAM AS SERIEMAS

Em 1975, quando a cidade já chamava Ribas do Rio Pardo e bem próximo de acontecer a Divisão do Estado de Mato Grosso, publicou o livro ONDE CANTAM AS SERIEMAS, nos agraciando com a narração dos acontecimentos do passado de nossa cidade, como também, suas experiências, e um pouco de sua vida nessa terra.

Em “LUTO E MELANCOLIA NO CANTO DA SERIEMA DO CERRADO: por uma identidade da crítica cultural”, Edgar Cézar Nolasco escreve sobre o Otávio Gomes: Entre as homenagens especiais prestadas pelo autor do livro, a primeira é a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil S.A. que, nas palavras de Gomes, “construiu o primeiro barraco, ao lado do qual surgiram a estação e as primeiras casas do povoado”. A estrada, como se sabe, abriu o trânsito para o centro-sul do país, trazendo o progresso, emigrantes de várias partes do mundo, como os japoneses de Okinawa. Em “A vila do Rio Pardo”, Otávio Gomes, ao tratar do vilarejo familiar, descreve com precisão as mudanças que a Noroeste propôs para o lugar e, por extensão, para o Estado como um todo: “na rua principal da vila, ampla e em linha reta, instalavam-se o comércio, a escola, o cartório e tudo mais que havia de importante no lugarejo. Uma rua comprida, cortada pelos trilhos da Estrada Ferroviária Noroeste, cujo comércio se fazia de um único lado, porque o ‘corte’ da via férrea impedia o livre trânsito para o outro lado”. Lembramos que é exatamente a Bandeira e com o Brasão de Ribas do Rio Pardo que abre o livro Onde Cantam as Seriemas.

Vale a pena ler o livro. Recomendo.

HINO DE RIBAS DO RIO PARDO – MS

Hino do município de Ribas foi escrito por Otávio Gonçalves Gomes quando ele já morava em Campo Grande. A melodia, ao que tudo indica, tocada ao som de piano, foi criada por Neusa Maesano Gonçalves Gomes, sua esposa. Nesse hino deixa claro que conhecia muito bem Ribas do Rio Pardo, e acreditamos que, Otávio e a Neuza, fizeram a composição após o ano de 1977, quando houve a Divisão do Estado, pois no hino ele cita Mato Grosso do Sul.

Segue a letra:

Hino do município de Ribas do Rio Pardo

Letra por Otávio Gonçalves Gomes

Melodia por Neusa Maesano Gonçalves Gomes

 

Monções passando à frente,

Subia o Bandeirante.

Ó Rio Pardo,

Vencendo a corredeira,

Ó sertão bruto,

De canoa e remo.

Avante! Para frente,

No rumo das Bandeiras.

Surgiu na cachoeira,

A Usina do Mimoso.

Avante! Terra boa,

Ribas do Rio Pardo.

Tranquila,

No outeiro, as igrejinhas,

São Sebastião,

E a Virgem Santa.

A grama verde e bela,

Sobrados sobranceiros,

O Botas muito tranquilo,

Passando sem cessar.

Os bois pastando, mugindo,

Trazendo riquezas pra terra.

Correndo a Noroeste,

Em lindos campos,

Apitando vem.

Por nossa, nossa terra,

Agora e sempre,

Por Mato Grosso do Sul,

Também, pelo Brasil.

HINO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL

Otávio Gonçalves Gomes junto com Jorge Antônio Siufi, foram os escritores da letra do Hino de Mato Grosso do Sul com a música sendo composta por Radamés Gnattali. O hino foi escolhido por concurso.

Quem entoa e admira o Hino de Mato Grosso do Sul, nem imagina que ele foi criado a poucos dias da cerimônia de posse do primeiro governador do Estado, Harry Amorim Costa, em 1° de janeiro de 1979. A melodia criada pelo maestro carioca Radamés Gnattali, deu o tom para que Jorge Antônio Siufi, e Otávio Gonçalves Gomes, desenvolvessem a letra em apenas cinco dias unindo história, geografia e poesia. A letra enaltece as belezas naturais do Estado, do potencial, solo fértil que Mato Grosso do Sul representava na época para o futuro do Brasil, e dá destaque a figuras importantes de episódios históricos como a Retirada da Laguna e a Guerra do Paraguai. Entre os nomes que aparecem, o do político Vespasiano Martins, defensor da emancipação do Sul do Mato Grosso; do Coronel Carlos de Morais Camisão que liderou a Retirada da Laguna; do Tenente Antônio João, um dos heróis da Guerra do Paraguai; Guaicurus são os guerreiros índios que lutaram na guerra; e Ricardo Franco engenheiro e militar português fundador do Forte Novo de Coimbra.

O poeta memorialista, biógrafo, regionalista, historiador jornalista, engenheiro agrônomo e empresário, e podemos dizer, com certeza, rio-pardense, Otávio Gonçalves Gomes, é imortalizado na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, da qual foi um dos fundadores e presidente (1982 a 1985). Ocupou a cadeira de número 20.

Ele escreveu, também, os livros: Lampejos (poesia, 1972), A Poesia de Mato Grosso do Sul (1983). Mato Grosso do Sul na Obra de Taunay (1991).

A história desse importante homem rio-pardense passou despercebida por Ribas do Rio Pardo.

Não sabemos, ou temos conhecimento, de alguma homenagem, nem mesmo nome de rua na nossa cidade, porém, o filho de Domingos Gonçalves Gomes, sobrinho-neto de Filadelfo Alves da Silva e sobrinho dos Fontouras recebeu nome de rua na capital, Campo Grande.

Na cidade de Rio Negro, Mato Grosso do Sul, foi homenageado com a Escola Estadual Otávio Gonçalves Gomes.

Por Adriano Aparecido Nogueira em 18 de Março de 2021

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