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Sem investimentos na ferrovia e sem duplicação, Governo vai continuar tapando buracos na BR-262

Sem investimentos na ferrovia e sem duplicação, Governo vai continuar tapando buracos na BR-262

Governo federal autorizou, depois de anos de espera, a obra de recuperação da rodovia interligando Campo Grande a Três Lagoas.

 

Giroto acompanhou Tucura, Thiago, diretor nacional do DNIT, e Marun em vistoria de trecho de rodovia que será duplicado em Ribas (Foto: Facebook)

Em editorial publicado nesta segunda-feira,  o jornal Correio do Estado explica que as políticas públicas para o transporte estão equivocadas. Confira:

Confira o editorial desta segunda-feira: "Novela da 262 perto do fim"

Depois de anos de espera e expressivo número de acidentes e mortes, o governo federal, enfim, autorizou a obra de recapeamento da Rodovia BR-262, que liga Três Lagoas a Ribas do Rio Pardo. A ordem de serviço foi assinada na noite de quinta-feira, em cerimônia que contou com a presença do ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun (PMDB), e prevê investimento de R$ 150 milhões para a recuperação do asfalto, tomado por buracos, e a construção de terceira faixa ao longo da via.

A obra ameniza, mas ainda não resolve um dos maiores gargalos de Mato Grosso do Sul, a logística. Desde 2009, quando inaugurado o complexo de indústrias de papel e celulose em Três Lagoas, aumentou consideravelmente o fluxo de veículos transportando madeira em toda aquela região. São dezenas de caminhões passando pela rodovia 24 horas por dia para abastecer não só uma, mas três fábricas de celulose: duas unidades da Fibria e uma da Eldorado. Como consequência desse crescimento, o asfalto – que, desde quando foi executado, nunca recebeu um grande investimento para sua recuperação – se esfarelou de vez. 

Além dos riscos à vida daqueles que são obrigados a transitar pela rodovia, a situação chegou ao ponto de pesar na decisão de novos investimentos. Ao inaugurar a segunda linha de produção, a diretoria da Fibria esclareceu que a falta de logística era um ponto negativo nos estudos para a terceira planta, que eles confirmaram existir. 

E não se trata somente de como levar a celulose produzida no Estado até o Porto de Santos (SP), operação que, por conta do sucateamento da linha ferroviária que corta Mato Grosso do Sul -  hoje sob controle da Rumo - contou com a construção de um novo terminal ferroviário da Fibria em Aparecida do Taboado, para onde a produção é escoada, em um primeiro momento de caminhão para depois ser embarcada. Mas também de garantir que a matéria-prima usada na produção de celulose chegue às fábricas. Para isso, são basicamente dois caminhões: as rodovias federais 262 e 158. Com a projeção de uma terceira unidade da fibria e a de ampliação por parte da Eldorado Brasil, é alta a possibilidade de essas rodovias simplesmente pararem. 

O recapeamento, desde que não haja imprevistos ou seja paralisado novamente, promoverá uma grande mudança na situação da rodovia. Porém, com esses projetos, já se mostra uma medida paliativa e o preço alto que estamos pagando por menosprezar e deixar que fosse sucateada um modal de escoamento de produção tão importante quanto o ferroviário. Se tivesse com os trilhos em situação de uso, eles poderiam ser uma alternativa para o transporte nesse trecho, reduzindo o número de caminhões nas rodovias e ainda reduzindo o custo de produção.

Outra alternativa seria entregar a rodovia para a iniciativa privada, garantindo a sua devida manutenção e obras de melhoria, como a sonhada duplicação. A concessão fracassou, o que, se levada em consideração o nosso exemplo recente, que é a BR-163, pode não ter sido de todo mal esse fracasso.  

Porém, sem a ferrovia ou a intenção de duplicar a BR-262,  o governo vai continuar tapando buracos nas rodovias.

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