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Triatleta que pedalou 1.500 km para homenagear o pai e o avô, passou por Ribas do Rio Pardo

Triatleta que pedalou 1.500 km para homenagear o pai e o avô, passou por Ribas do Rio Pardo


Planejada, a viagem teve início na última sexta-feira, 24 de julho, saindo de Brasília, passando por cidades de Goiás e pelo menos 35 municípios em Mato Grosso do Sul.

“Uma verdadeira aventura, repleta de muita emoção e com a sensação de dever cumprido”. É assim, que o triatleta, Frederico Gall, define o percurso de 1.500 quilômetros, que está enfrentando entre Brasília e Corumbá, na “Expedição Em Nome do Pai”.

Pode parecer loucura, mas ele, junto com os amigos, Weimar Pettengil e Fabiano Bielefeld Narddtto, enfrentam o desafio sobre bicicletas e também de caiaque.   

A pedalada até o Pantanal, apesar de parecer uma aventura, vai bem mais além. Frederico está homenageando o pai, Eduardo Santa Rita de Athayde Gall e o avô Camillo Comoretto Gall, que foi comandante do Forte de Coimbra. Ambos já faleceram.

O triatleta contou ao Diário Corumbaense, que o pai e o avô, eram dois apaixonados por Corumbá e pelo Pantanal, e que, por conta disso, cresceu ouvindo as aventuras vivenciadas pelos dois, mas após a partida deles, resolveu fazer a homenagem.

“Corumbá, o Pantanal e o Forte de Coimbra têm grande relevância na história da minha família e, eu, estou cumprindo um sonho meu e do meu pai, já que em vida, infelizmente não conseguimos visitar Forte de Coimbra, junto com meu avô. Deles carrego na memória as histórias e aventuras que tomam contam da minha imaginação e que eles vivenciaram”, contou Frederico.

A viagem

Tudo começou quando Frederico, que além de triatleta é um dos mais experientes corredores de aventura do Brasil, visitou Corumbá em 2015, durante uma competição de corrida, um ano após a morte do pai. Mesmo estando em solo pantaneiro, não deu para visitar o Forte, devido a “correria” da competição que exigia muita concentração.

Porém, sentindo toda a emoção por estar em terras que acolheram seu pai e avô, Frederico começou a pensar em uma nova viagem à região pantaneira, mas para render homenagem aos dois.

“Foi aí que cogitei fazer essa aventura, fui planejando e acabei deixando. Neste ano, antes da pandemia, decidi concretizar o sonho. No meio de tudo isso acabei conhecendo Weimar Pettengil, que hoje é meu companheiro de pedaladas, junto com o Fabiano. Contei sobre a ideia e simplesmente ele também se interessou pelo desafio, pois é nascido em Mato Grosso do Sul”, falou.

Após a conversa, Frederico até pensou em planejar a viagem de maneira mais calma, porém, foi surpreendido pelo companheiro. “Uma semana depois que conversamos, o Weimar me ligou e perguntou se eu estaria pronto para embarcar e por incrível que pareça eu disse que não. Mas a emoção tomou conta e com a coragem, saímos de Brasília com destino ao Forte de Coimbra”, relembrou.

O trajeto

Planejada, a viagem teve início na última sexta-feira, 24 de julho, saindo de Brasília, passando por cidades de Goiás e pelo menos 35 municípios em Mato Grosso do Sul. Sobre o trajeto, Frederico disse que teve muitas surpresas.

“Pela qualidade da estrada, que em alguns pontos, estava bem ruim trafegar e também o que mais me chamou a atenção foi o respeito dos caminhoneiros. Em alguns pontos, eles davam prioridade pra gente. Isso me deixou muito surpreso”, mencionou o triatleta que havia acabado de chegar em Ribas do Rio Pardo quando falou com o Diário Corumbaense.

E para encarar o desafio, os atletas estão a bordo de bicicletas Gravel (uso misto, terra e asfalto). Além disso, uma equipe composta por Ana Cristina Rodrigues Leite e Elcio Gustavo Rodrigues Mendes também dá apoio aos aventureiros. Eles seguem em um veículo todo aparelhado e que também carrega os outros equipamentos e os caiaques.   

A homenagem

A expedição dos aventureiros recebeu o nome “Em nome do Pai”, por conta da homenagem que Frederico irá fazer ao pai e ao avô. O companheiro de viagem, Weimar Pettengil, também, fará homenagem à família em Campo Grande, onde nasceu e cresceu.

A previsão de chegada até a ponte do rio Paraguai, na região de Porto Morrinho, distante cerca de 70 quilômetros da área urbana de Corumbá, é nesta quinta-feira (30), caso não haja nenhum imprevisto.

“Vai ser um momento de muita emoção. Será como um filme de toda a vida que passará pela minha cabeça, com as histórias do meu avô e do meu pai. A paisagem deslumbrante do Pantanal, ficará pra sempre em minha memória”, espera Frederico.

Da ponte do rio Paraguai, os atletas irão encarar mais 100 km em uma canoa dupla e caiaque até Forte Coimbra, onde a homenagem ao pai e ao avô será concretizada.

No local, Frederico, irá jogar as cinzas do pai nas águas do rio Paraguai. “Ele faleceu em 2014, foi cremado e desde então, guardo as cinzas dele. Quando chegar em Forte Coimbra, depositarei as cinzas no rio Paraguai, onde ele vivenciou inúmeras aventuras, quando morou ali. É uma emoção tremenda que estarei vivendo, mas com a certeza dele estar alegre por esse gesto”, disse Frederico.

O avô de Frederico, Camillo Comoretto Gall, foi capitão do Exército e comandou o Forte de Coimbra de junho de 1951 a julho de 1952. O local é conhecido como marco fronteiriço entre Brasil, Bolívia e Paraguai.

O Forte

Em 2016, o Iphan apresentou à Unesco a candidatura do Conjunto de Fortificações do Brasil a título de Patrimônio Mundial. São 19 edificações, fortes e fortificações construídas entre os séculos XVI e XIX. Localizadas em todas as regiões do país, testemunharam o histórico esforço para a ocupação, defesa e integração do território nacional. Dentre eles, está o Forte de Coimbra.

O Forte de Coimbra foi o primeiro a ser erguido a partir de uma ordem da Coroa Portuguesa para a construção de fortificações militares em alguns pontos do rio Paraguai, a partir de 1775. Durante a Guerra do Paraguai (1864 a 1870), teve papel importante nas batalhas travadas, sendo fundamental para a consolidação da fronteira oeste do Brasil.

O Forte pertence ao Exército Brasileiro e é mantido pela 3ª Companhia de Fronteira, unidade militar da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira/Comando Militar do Oeste. Trata-se de um representante da arquitetura militar portuguesa do século XVIII nos sertões ocidentais brasileiros. Além disso, é um testemunho da ocupação do território nacional no período de guerras e indefinições.

Sucessivamente atacado por guaicurus no final do século XVIII, por espanhóis em 1801 e por paraguaios em 1864, o Forte de Coimbra passou por diversas recomposições e adaptações, até uma última reforma pelo Exército em 1908. Hoje, em terras oficialmente brasileiras e mantido pelos militares, suas muralhas são um testemunho daquele período da história. O Forte tem como atrações a visita à parte alta da construção, de onde se observa o rio Paraguai ao lado de antigos canhões, além do passeio à vila de moradores e à gruta Buraco do Suturno.

Por Leonardo Cabral do Jornal Diário Corumbaense

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