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Prefeito de Ribas tem salário maior que o do governador de MG e da "sensação" de Colatina

Prefeito de Ribas tem salário maior que o do governador de MG e da "sensação" de Colatina


Com salário de apenas R$ 10,2 mil, Meneguelli virou sensação ao se comportar como cidadão normal, apesar de ser prefeito de cidade com 120 mil habitantes

Tucura recebe mais que o governador de MG e da "sensação" de Colatina

Reportagem do site O Jacaré mostra lista do salários de 50 prefeitos de MS que recebem salário maior que o do governador de Minas Gerais e do prefeito de Colatina-ES, veja:

Salário de 50 prefeitos de MS supera valor pago a governador de MG e a “sensação” de Colatina

Por Edivaldo Bitencourt

Levantamento inédito, feito pelo O Jacaré, mostra que 51 prefeitos de Mato Grosso do Sul possuem salário de R$ 11 mil a R$ 32.564,04. O valor de 50 supera o subsídio do governador Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, 2º mais populoso do País e com 853 municípios. Já o pago a 51 chefes do Executivo é maior que o do prefeito Sérgio Meneguelli (MDB), de Colatina (ES), que virou “sensação” nas redes sociais pela simplicidade, postura de gestor público e exemplo para a classe política brasileira.

Com vencimento mensal de R$ 32.564,04, Donato Lopes Silva (PSDB), de Rio Brilhante, não é o único a ganhar mais que 23 governadores estaduais. João Carlos Krug (PSDB), de Chapadão do Sul, com salário R$ 32.394,00 está no mesmo nível. Com 25,2 mil habitantes, a cidade conta com 7,3 mil moradores vivendo na miséria, com renda per capita inferior a meio salário mínimo por mês, e índice de mortalidade infantil alto, de 13,7 por mil nascidos vivos.

No entanto, o número de prefeitos com salários de primeiro mundo pode ser maior. Dos 79 municípios, 27 não disponibilizam a informação ou dificultam a divulgação dos dados nos portais da transparência. Bodoquena informa o salário de R$ 12 mil ao vice-prefeito Geraldo Nunes Siqueira, mas não disponibiliza o subsídio do prefeito Kazuto Horii (PSDB).

Pela lei federal, todos os poderes públicos devem informar os salários nominais dos servidores públicos e agentes políticos. Graças à conveniência do Ministério Público Estadual, que deveria fiscalizar, muitas cidades seguem o exemplo da Assembleia Legislativa, que também não cumpre a legislação e esconde os valores pagos aos deputados e servidores. 

Com salário de apenas R$ 10,2 mil, Meneguelli virou sensação ao se comportar como cidadão normal, apesar de ser prefeito de cidade com 120 mil habitantes

Quinze prefeitos ganham mais que Marquinhos Trad

Prefeito

Salário

Donato Lopes Silva (PSDB)

32.564,04

João Carlos Krug (PSDB)

32.394,00

Manoel Viais (PSDB)

27.530,00

Robinho Samara (PSB)

27.053,79

Edvaldo Alves de Queiroz (PDT)

26.440,00

Marcelo Iunes (PSDB)

26.000,00

André Nezzi (PSDB)

25.646,35

Marcelo Ascoli (PSL)

25.000,00

Edson Moraes de Souza (Patri)

24.636,30

Hélio Peluffo (PSDB)

24.117,62

Waldeli dos Santos Rosa (MDB)

23.880,63

Eraldo Jorge Leite (PSDB)

23.424,91

Ronaldo José Severino de Lima (PSDB)

23.417,59

Jeferson Luiz Tomazoni (PSDB)

22.136,75

Marquinhos Trad (PSD)

21.263,61

Angelo Guerreiro (PSDB)

21.000,00

Marcos Paco (PSDB)

20.000,00

Eder Uilson França – Tuta (PSDB)

19.904,00

Valdomiro Sobrinho (PL)

19.897,49

Aluizio São José (PSB)

19.380,00

Sebastião Donizete Barraco (DEM)

19.000,00

Arlei Silva Barbosa (MDB)

18.999,00

Pedro Caravina (PSDB)

18.213,97

Jair Boni (PSDB)

18.181,41

José Izauri de Macedo (DEM)

18.000,00

Iranil de Lima Soares (PSDB)

18.000,00

Aguinaldo dos Santos (Patri)

18.000,00

Ednaldo Luiz Bandeira (PSDB)

17.143,92

Carlos Alberto Pelegrini (MDB)

17.000,00

Rudi Paetzold (MDB)

16.250,00

William Luiz Fontoura (DEM)

16.080,36

Valdir do Couto (PSDB)

16.000,00

Nildo Alves (PSDB)

16.000,00

Edilsom Zandona de Souza (PSDB)

16.000,00

Dra. Patrícia Nunes (PSDB)

16.000,00

Dirceu Betoni (PSDB)

15.834,10

Paulo Tucura (DEM)

15.563,05

Roberto Silva Cavalcanti (PSB)

15.066,35

Reinaldo Piti (PSDB)

15.000,00

Paulo César Franjoti (PL)

15.000,00

Enelto Ramos da Silva (DEM)

15.000,00

Aristeu Pereira Nantes (Patriota)

15.000,00

Álvaro Urt (DEM)

14.835,00

Francisco Piroli (PSDB)

14.373,39

Délia Razuk (sem partido)

13.804,56

Marceleide Hartman Marques (MDB)

13.640,00

Marcela Ribeiro Lopes (PSDB)

13.100,00

Rogério Rosalin (PSDB)

12.500,00

Edson Rodrigues Nogueira (PSDB)

12.500,00

Itamar Bilibio (MDB)

12.000,00

Elizângela Martins Biazotti (PSDB)

11.000,00

Marcos Benedetti (PSDB)

3.798,71

Fonte: Portal da Transparência dos municípios

Entre os 52 prefeitos, 51 ganham acima dos R$ 10.245,91 pagos ao prefeito de Colatina, cidade do Espirito Santo com 120 mil habitantes, que virou sensação nas redes sociais e nos grupos de aplicativos. Apenas o vídeo em que ele á flagrado plantando mudas no canteiro foi visto por mais de 28,3 milhões de vezes.

Outra medida bastante aplaudida foi a destinação de R$ 200 mil, que seria destinado ao Carnaval da cidade, para a construção de uma escola na zona rural. Em outro gesto em dezembro, o prefeito marcou consulta, esperou um mês e aguardou na fila para ser atendido no posto de saúde. “Eu tenho que sentir a realidade da população, o político tem que sentir na carne o que esse povo enfrenta”, afirmou o emedebista.

O vencimento pago de 50 prefeitos supera os R$ 11.440 pagos a Zema, que comanda o Estado de Minas Gerais, com 21,1 milhões de habitantes e 853 municípios. Aliás, 15 prefeitos do interior ganham mais que os R$ 21,2 mil pagos ao prefeito Marquinhos Trad (PSD), da Capital, com 895,9 mil habitantes.

O terceiro maior valor seria pago ao prefeito de Caracol, Manoel Viais (PSDB), que seria R$ 27.530. No entanto, a informação é divulgada de forma confusa no Portal da Transparência, com mais de um vencimento ao chefe do Executivo.

O quarto maior valor é pago a Robinho Samara (PSB), de Aparecida do Taboado, onde houve a realização de concurso com “cola” para favorecer integrantes da administração municipal. Ele ganha R$ 27.053,99, apesar de 29,1% dos 25,7 mil moradores viverem em situação de pobreza extrema, conforme o IBGE.

A situação é mais dramática ainda em Água Clara, a 100 quilômetros da Capital, onde 33,3% dos 15,5 mil habitantes vivem com menos de meio salário mínimo por mês. No entanto, o prefeito Edvaldo Alves de Queiroz, o Tupete (PDT), não tem do que reclamar da vida com salário de R$ 26.440 – quase três vezes o valor pago ao chefe do Executivo de Colatina.

Situação mais revoltante é o caso de Jateí, que paga R$ 23.424,91 ao prefeito Eraldo Jorge Leite (PSDB). A cidade conta com apenas 4.027 moradores, conforme projeção de 2019 do IBGE. Isso significa que cada morador paga R$ 5,81 por mês ao chefe do Executivo.

Apesar de pagar o 12º maior subsídio entre os 51 prefeitos, Jateí conta com 36,2% dos moradores na linha da extrema pobreza, sobrevivendo com menos de meio salário mínimo por mês. Apenas 487 pessoas estão ocupadas na cidade, o que significa 12,1% de taxa de ocupação – quase o percentual de brasileiros desempregados.

Para espanto de parte da sociedade sul-mato-grossense – há gente que concorda – ainda há prefeitos que consideram pouco o salário pago pelos contribuintes. Esse é o caso de Paulo Tucura (DEM), de Ribas do Rio Pardo. Enquanto os moradores reclamam da falta de médicos, de remédios e de manutenção das vias públicas, ele se queixa do salário de R$ 15.563,05.

No final do ano passado, os vereadores da cidade aprovaram o reajuste de 28% no subsídio do democrata, de R$ 15,5 mil para R$ 19.920,70 a partir de janeiro de 2021. Com o presente aprovado por cinco dos nove vereadores mediante protestos, Tucura vai passar a ganhar 94% a mais em relação ao vencimento do prefeito da cidade capixaba. Só que para isso, ele vai precisar ser reeleito nas eleições deste ano.

Pelo levantamento, o menor valor, de R$ 3.798,71, é pago ao prefeito de Vicentina, Marcos Benedetti (PSDB). No entanto, o Portal da Transparência só divulga o valor líquido, enquanto todos os demais publicam o bruto. O Jacaré tentou contato com o prefeito e secretário da cidade, mas não foram localizados para falar a respeito na manhã desta segunda-feira.

Ao concordar com o pagamento de supersalários aos prefeitos, o contribuinte deve estar ciente que vai faltar dinheiro para saúde, educação, segurança, limpeza de vias públicas, coleta do lixo, iluminação pública, etc, porque nada vem de graça. Só para ilustração, em quatro anos, o salário do prefeito vai custar R$ 1,563 milhão no mandato – dinheiro suficiente para concluir a obra de ampliação do hospital, que passará de 48 para 72 leitos.

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